Leonardo Triandopolis Vieira
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Não escrevi ameaça no título, em razão das redes sociais (Instagram, Facebook, Twitter…) e os aplicativos de mensagens (Whatsapp, Telegram…) já terem ultrapassado a linha, que determina se são ameaça ou não, há muito tempo. Não, estes aplicativos não são uma ameaça. São uma arma. Uma arma que já está sendo usada sem o menor escrúpulo pelo neoliberalismo.

E não estou me referindo à doutrina programada por economistas na primeira metade do século XX, que imaginava um Estado regulador e assistencialista que controlaria, de maneira limitada, o funcionamento do mercado capitalista. …


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“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. (João 8:32)

Será?

De uma ponta à outra dos espectros políticos e sociais, tem-se em pauta a liberdade. Liberdade enquanto instrumento de cooptação e jamais como qualificador para a possibilidade de uma vida integral. Digo, para que se possa, não obstante, tendo em conta possibilidades mínimas, ir ao alcance de um horizontalismo onde todas as possibilidades sociais, políticas, filosóficas, artísticas e educacionais possam viver imunes ao verticalismo de um (neo) liberalismo (seja ele social ou econômico) ou socialismo burocrático (seja ele progressista ou dogmático). …


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Escrever não é o problema. O problema, para mim, é escrever por escrever, escrever para se encaixar, escrever para se destacar, escrever para competir etc. A escrita é ferramenta. Serve para traduzir, comunicar, criar, serve, por ser ferramenta, para inúmeras outras coisas. Como uma faca, que você pode usar tanto para cortar e compartilhar uma maçã, como para libertar um animal preso a um fio, também, ferir e matar um animal (incluo aqui o ser humano), ameaçar, mesmo tirar a própria vida. A ferramenta em si não age, não possui movimento, nem sentido (propósito definido), a não ser o de ser, ou não ser, manipulada. Manipular, utilizar uma ferramenta, seja ela qual for (material ou imaterial), é sempre um ato político. …


Arte de Nandalal Bose
Arte de Nandalal Bose
Arte de Nandalal Bose

A questão do eu inclui o outro, porque sem o eu não há o outro. Mesmo quando é o outro que me ensine sobre o eu. O eu permite, ainda que não o saiba, que o outro doutrine, através da linguagem, o eu. O outro existe a partir do eu e o eu existe a partir do outro. Paradoxalmente, o outro existe independente do eu, mas o eu não existe independente do outro. O outro existe sem que eu exista, mas, aí, não sou eu quem produz o outro. O outro é um outro eu que independe do meu eu para existir. …


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A liberdade é um estado da mente? Talvez. O que posso afirmar é que a liberdade só existe em sociedade.

Muita gente ao longo do ano de 2020, quando a Pandemia foi oficializada e a quarentena sugerida, usou como desculpa sua “saúde mental” para agir sem responsabilidade e jogar a solidariedade no lixo.

O agravante da responsabilidade com relação a epidemia de Covid-19 não é tão difícil de entender.

Vou ilustrar:

É como um tiro que você dá “sem querer querendo”. A bala do tiro, quando acerta uma pessoa, não para nela. Pelo contrário, a bala se multiplica e continua seu percurso acertando outras pessoas e se multiplicando mais e mais. Esses projéteis, assim como um tiro às cegas, podem acertar de raspão uma parte do corpo não letal ou órgãos vitais. Não dá para ter certeza, apenas prever, estimar… Se você ficar em casa, isso é certo, o tiro vai se alojar na parede e não vai se multiplicar (ele precisa da carne humana para isso). Se você sair de casa e usar máscara (a todo o momento e só tirar quando voltar), manter o distanciamento, não ter contato direto (aperto de mão, abraço…) e higienizar mãos e objetos o tempo todo, você vai atirar para o alto e, com sorte, talvez a bala não caia na cabeça de ninguém, porém, pode acertar, sim, alguém, inclusive você. …


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A nossa condição de criaturas que pensam e repensam enquanto instrumento da ficção de nós (do que nós somos, do que nós pretendemos ser, do que nós pensamos ter sido), e do que nos cerca é uma constante que me angustia.

Se a ficção é o que é, suponho que a nossa profundidade é rasa.

O raso é raso até quando?

A epistemologia das coisas, na qualidade de reflexão geral em torno da natureza, faz com que eu, enquanto um quase coisa, ora acredite que sou um sujeito indagativo que sonha que é um objeto inerte, ora acredite que sou um objeto inerte que sonha que é um sujeito indagativo. …


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Quando os budistas dizem que é melhor não fazer nada do que fazer a coisa errada, eles não estão dizendo para nunca fazer nada ou viver em permanente resignação, eles querem dizer que antes de qualquer ação é preciso pensar (do latim pensare, pesar ou pendurar para avaliar o peso de um objeto — mensurar, balancear). A ação que acontece sem pensamento é reação (do latim reagere, agir em resposta a um estímulo). Assim, podemos concluir que eles querem dizer que é melhor não fazer nada do que reagir.

A ação nunca é uma resposta. Agir (do latim agere, atuar, fazer, colocar em movimento) é uma coisa que se dá quando há atenção. Enquanto você estiver atento ao que acontece dentro e fora, micro e macro, você age. Enquanto você ignora o que acontece dentro e fora, micro e macro, você reage. …


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A cada dia |eu| mais morto em um país que é campo de experimentos em necropolítica. Há mais de quinhentos anos. Desde o extermínio das populações nativas, por colonizadores europeus até os dias de hoje, em que a população pobre é o rato de laboratório de uma lumpemburguesia que finge não saber, mas é, também, a bucha de canhão de um imperialismo McDisneyMoneyPornWood.

“Uma hora todos vão morrer, taoquei”, vomita o messias-marionete-consolo de Trump e seu imperialismo agonizante.

Milhares de milhares de mortes por dia: covid-19 em destaque, mas segue de mãos dadas com feminicídio, fome, poluição, desmatamento, extrema pobreza…

É possível escrever assim? …


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“Seu poder é pleno, se é convertido em Terra” (Hermes Trismegisto)

Na incompreensão de nossos beijos coletivos sepultada por atos inconsequentes, de orgasmos natimortos, revela-se o ocaso de corpos astrais em constante materialização. O tesão de uma supernova deixando mais densos os espíritos incautos e fugazes.

Esta noite morreremos de amor. O veneno na saliva das bocas roxas e dos lábios rasgados, a corda suspendendo corpos preenchidos com plugs anais e arranhões. Os olhos que não condenam, todo corpo é um templo. E o suposto templo, que é moldado como rocha e se massifica com a incauta padronização estética de bíblias do mainstream, deve ser destruído. Defenestrado em prol da liberdade do clímax. Gozar nunca é uma prisão. O corpo petrificado deve ser reconstruído. Ajoelhem-se apenas para gozar ou fazer o próximo gozar. As portas do templo da libertinagem crepuscular de todas as divindades profanas são as pernas da prostituta da Babilônia. E do meio das pernas do templo nasce um rio de gozo farto e incontinência ejaculatória. …


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Lave as mãos. Vista a máscara. Olhe para o céu. O sol está sempre ali, a uma distância segura da Terra. A uma distância segura dos seres humanos. O que são os seres humanos perto de um astro da magnitude do sol? Nem poeira estelar, nem as partículas que compõem a poeira estelar. Mesmo assim, respiramos.

De modo intrigante, respiramos. Roubamos oxigênio da atmosfera e devolvemos dióxido de carbono. Fossas nasais, faringe, laringe, traqueia, brônquios, alvéolos pulmonares. Tudo junto. Respiramos.

Precisamos de umidade e pulmões saudáveis, mas fumamos e, quando evitamos o cigarro, queimamos combustível fóssil.

Leve as mãos, não mais limpas, até o rosto e ajeite a máscara. …

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Leonardo Triandopolis Vieira

Escritor e editor. Conheça meu trabalho em leoescreve.com.br

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