Leonardo Triandopolis Vieira
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E u quero morrer assim, conta dona Maria, aos 98 anos, sem incomodar ninguém. O que eu mais tenho medo, mesmo, é de ficar inválida e dar trabalho para os outros, sabe. Se Deus quiser, vou morrer assim, sem incomodar ninguém. Um dia me deito pra dormir e não acordo mais. Simples assim. Meu maior medo é esse mesmo, de ter que ficar acamada dando trabalho. Conta a mulher que já viveu quase um século e presenciou desde sua mãe dar pão e água aos revoltosos da Coluna Prestes, em 1927, quando tinha apenas 2 anos de idade, passando pela…


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Não foi a (provavelmente apenas a primeira) pandemia deste século que fez com que falhássemos moralmente enquanto sociedade, enquanto espécie, enquanto indivíduos, enquanto durante enquanto. Vimos falhando moralmente desde o momento em que substituímos as comunas das aldeias e o consenso do coletivo pelos países-reinos e seus líderes autocratas; desde o instante em que convertemos em religião o sobrenatural das alucinações induzidas por ibogaína, DMT entre outras substâncias; desde que destruímos as matas e florestas para enclausurar animais para sofrerem um holocausto só para satisfazermos a ilusão de que somos carnívoros, de que somos leões aprimorados; desde o momento em…


Uma breve intervenção em vídeo por aqui para falar do meu novo livro e do sorteio dele!


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Não escrevi ameaça no título, em razão das redes sociais (Instagram, Facebook, Twitter…) e os aplicativos de mensagens (Whatsapp, Telegram…) já terem ultrapassado a linha, que determina se são ameaça ou não, há muito tempo. Não, estes aplicativos não são uma ameaça. São uma arma. Uma arma que já está sendo usada sem o menor escrúpulo pelo neoliberalismo.

E não estou me referindo à doutrina programada por economistas na primeira metade do século XX, que imaginava um Estado regulador e assistencialista que controlaria, de maneira limitada, o funcionamento do mercado capitalista. …


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“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. (João 8:32)

Será?

De uma ponta à outra dos espectros políticos e sociais, tem-se em pauta a liberdade. Liberdade enquanto instrumento de cooptação e jamais como qualificador para a possibilidade de uma vida integral. Digo, para que se possa, não obstante, tendo em conta possibilidades mínimas, ir ao alcance de um horizontalismo onde todas as possibilidades sociais, políticas, filosóficas, artísticas e educacionais possam viver imunes ao verticalismo de um (neo) liberalismo (seja ele social ou econômico) ou socialismo burocrático (seja ele progressista ou dogmático). …


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Escrever não é o problema. O problema, para mim, é escrever por escrever, escrever para se encaixar, escrever para se destacar, escrever para competir etc. A escrita é ferramenta. Serve para traduzir, comunicar, criar, serve, por ser ferramenta, para inúmeras outras coisas. Como uma faca, que você pode usar tanto para cortar e compartilhar uma maçã, como para libertar um animal preso a um fio, também, ferir e matar um animal (incluo aqui o ser humano), ameaçar, mesmo tirar a própria vida. A ferramenta em si não age, não possui movimento, nem sentido (propósito definido), a não ser o de…


Arte de Nandalal Bose
Arte de Nandalal Bose
Arte de Nandalal Bose

A questão do eu inclui o outro, porque sem o eu não há o outro. Mesmo quando é o outro que me ensine sobre o eu. O eu permite, ainda que não o saiba, que o outro doutrine, através da linguagem, o eu. O outro existe a partir do eu e o eu existe a partir do outro. Paradoxalmente, o outro existe independente do eu, mas o eu não existe independente do outro. O outro existe sem que eu exista, mas, aí, não sou eu quem produz o outro. O outro é um outro eu que independe do meu eu…


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A liberdade é um estado da mente? Talvez. O que posso afirmar é que a liberdade só existe em sociedade.

Muita gente ao longo do ano de 2020, quando a Pandemia foi oficializada e a quarentena sugerida, usou como desculpa sua “saúde mental” para agir sem responsabilidade e jogar a solidariedade no lixo.

O agravante da responsabilidade com relação a epidemia de Covid-19 não é tão difícil de entender.

Vou ilustrar:

É como um tiro que você dá “sem querer querendo”. A bala do tiro, quando acerta uma pessoa, não para nela. Pelo contrário, a bala se multiplica e continua…


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A nossa condição de criaturas que pensam e repensam enquanto instrumento da ficção de nós (do que nós somos, do que nós pretendemos ser, do que nós pensamos ter sido), e do que nos cerca é uma constante que me angustia.

Se a ficção é o que é, suponho que a nossa profundidade é rasa.

O raso é raso até quando?

A epistemologia das coisas, na qualidade de reflexão geral em torno da natureza, faz com que eu, enquanto um quase coisa, ora acredite que sou um sujeito indagativo que sonha que é um objeto inerte, ora acredite que sou…


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Quando os budistas dizem que é melhor não fazer nada do que fazer a coisa errada, eles não estão dizendo para nunca fazer nada ou viver em permanente resignação, eles querem dizer que antes de qualquer ação é preciso pensar (do latim pensare, pesar ou pendurar para avaliar o peso de um objeto — mensurar, balancear). A ação que acontece sem pensamento é reação (do latim reagere, agir em resposta a um estímulo). Assim, podemos concluir que eles querem dizer que é melhor não fazer nada do que reagir.

A ação nunca é uma resposta. Agir (do latim agere, atuar…

Leonardo Triandopolis Vieira

Escritor e editor. Conheça meu trabalho em leoescreve.com.br

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