No verso da tábula esmeraldina atinei uma missa

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Na incompreensão de nossos beijos coletivos sepultada por atos inconsequentes, de orgasmos natimortos, revela-se o ocaso de corpos astrais em constante materialização. O tesão de uma supernova deixando mais densos os espíritos incautos e fugazes.

Esta noite morreremos de amor. O veneno na saliva das bocas roxas e dos lábios rasgados, a corda suspendendo corpos preenchidos com plugs anais e arranhões. Os olhos que não condenam, todo corpo é um templo. E o suposto templo, que é moldado como rocha e se massifica com a incauta padronização estética de bíblias do mainstream, deve ser destruído. Defenestrado em prol da liberdade do clímax. Gozar nunca é uma prisão. O corpo petrificado deve ser reconstruído. Ajoelhem-se apenas para gozar ou fazer o próximo gozar. As portas do templo da libertinagem crepuscular de todas as divindades profanas são as pernas da prostituta da Babilônia. E do meio das pernas do templo nasce um rio de gozo farto e incontinência ejaculatória. Um rio onde nem todos se banham e bebem e se convertem em discípulos do vai-e-vem.

Que toda mulher, de vulva ou pau, devore o homem incauto que acredita parir o mundo com o sangue do seu falo. Que as divinas meretrizes sacrifiquem os pais de seus filhos não mais bastardos, pois são filhos da mulher. E a luz que transcende o sol atravesse os corações petrificados por um mundo movido a etanol. As trevas são as mães infinitas de finitos focos de luzes oscilantes. Velas foscas que nem sempre duram sete dias. Setenta vezes sete friccione o sino do seu portal e grite com a voz muda das suas vísceras o amor que é incapaz de sorrir, pois não possui dentes que cortam a folha e nem rasgam a carne.

Amaldiçoados todos nós, por escolhermos acreditar ao invés de saber. Mas na missa herética da meia calça rasgada, a sapiência se concretiza por apenas um caminho: o caminho da lei. Amor é a lei. E o que é o amor? Talvez a aurora crepuscular de uma chuva dissonante de estrelas anãs, como o sol, incapazes de agredir a Terra, pois a Terra é mãe. Pariu os dinossauros e os sacrificou para que nós nascêssemos e, mesmo assim, nós a decepcionamos. Com dentes de ferro e aço sugamos o sangue terreal e alimentamos nossos carros, cidades, paramos de gozar para fazer guerra. Tal e qual o macho caucasoide Descartes, violentamos a Terra como se ela fosse nossa presa e não nossa mãe.

Do útero blasfemo da lei do amor surgirá uma ficção incapaz de nos salvar. E quando não mais estivermos por aqui, toda a nudez e subjetividade da Lua presenciará o gozo galáctico da Mãe Terra — a prostituta da Via Láctea.

Que as prostitutas saiam de seus arcanos latíbulos e sequestrem as mães das famílias nucleares. A mãe será a prostituta e a prostituta será a mãe de todas as sementes incapazes de germinar uma célula sequer de patriarcalismo.

O futuro, assim como o passado, pertence ao presente estoico das carnes que sangram e singram os mares preenchidos por lágrimas e gozos.

A chave mestra da liberdade enquanto estado da mente é:

Nem servir no céu. Nem reinar no inferno.

.º.

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Escritor e editor. Conheça meu trabalho em leoescreve.com.br

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