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Leonardo Triandopolis Vieira

Necropoema

36 dias, 100 mil mortes.
2.777 mortes por dia (se fazer a média)
No Brasil de Bolsonaro
Continuar vivo não é escolha,
É sorte (ou azar).
Mortes evitáveis!
Mortes evitáveis!
Na semana em que o *presidente posa com um cartaz "CPF cancelado", sorrindo, para a foto,
Na semana em que o Ministro da Economia diz que o brasileiro está vivendo mais do que deveria,
100 mil mortes evitáveis.
Mais de 400 mil mortes no total.
E chegaremos a meio milhão de mortes
!EVITÁVEIS!
Antes que o inverno acabe.
Enquanto Bolsonaro for presidente, será sempre inverno no coração do brasileiro.

*uso presidente como sinônimo de genocida

The Clowns of War Arguing in Hell, de José Orozco

Reagir para não agir. As redes sociais desocupam as ruas e ocupam o ócio do ser humano — preso a uma virtualidade que é lida e assimilada pelo cérebro como concreta e mais real que o mundo físico, a carne tangível. “É apenas um aplicativo que ajuda as pessoas a se conectar umas com as outras”, “pequenos negócios surgem de maneira independente”, “influenciadores podem lucrar”, “imagina a quarentena sem esses aplicativos?”, “é neutro e depende de como você usa” etc. É como se as redes sociais fossem lidas como um campo aberto, um espaço público, inofensivo, uma ferramenta neutra. Mas…

Quatro mil mortes evitáveis por dia, mais de trezentas e cinquenta mil mortes em menos de dois anos, apenas no Brasil. Do jeito que as coisas andam, é capaz que neste mês de abril, apenas em um mês! (sim, reforço, apenas em um mês, 30 dias, 4 semanas), morram aqui no Brasil mais pessoas do que as duas bombas atômicas, não uma, duas bombas!, mataram em Hiroshima e Nagasaki. Não temos imagem em preto e branco, estática, de crianças correndo nuas e desesperadas com o corpo queimado pela radiação das bombas para se horrorizar e se sensibilizar, mas temos vídeos…

O Violeiro (1899), de Almeida Júnior.

Antes de ser arrebatado e transmutado por agentes subversivos e marginais tais como Lima Barreto, Oswald de Andrade, Waly Salomão, Paulo Leminski, Guimarães Rosa, Ignácio de Loyola Brandão, Ivan Ângelo, Rachel de Queiroz, Hilda Hilst e tantos e tantas que foram amputados/amputadas do meu corpo-convívio-corpo-cultural durante a minha infância, adolescência e início da vida adulta, eu já exercitava a arte, mas uma arte quadrada, vira-lata, colonizada e resignada. Uma arte acrítica que, (no sentido de) mesmo procurando certo criticismo e reflexão, padecia sob a clausura de uma enfermidade intelectual estritamente relacionada a essa amputação do meu corpo-convívio-corpo-cultural.

Defenestrado desde o…

Genocídio premeditado, calculado, desejado e perpetuado, durante a pior crise sanitária do mundo, pelo poder executivo brasileiro é o que em palavras mais brandas, mas não menos objetivas, conclui o décimo boletim Direitos na Pandemia, iniciativa do Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Sanitário da Universidade de São Paulo (Cepedisa), em parceria com a Conectas Direitos Humanos.

Bolsonaro, mais a ala do Exército que o apoia e todos os seus ministros são genocidas com intenções óbvias e premeditadas. Não vou me estender nesse argumento, basta checar diretamente o excelente boletim que citei no parágrafo anterior Clicando Aqui. …

E u quero morrer assim, conta dona Maria, aos 98 anos, sem incomodar ninguém. O que eu mais tenho medo, mesmo, é de ficar inválida e dar trabalho para os outros, sabe. Se Deus quiser, vou morrer assim, sem incomodar ninguém. Um dia me deito pra dormir e não acordo mais. Simples assim. Meu maior medo é esse mesmo, de ter que ficar acamada dando trabalho. Conta a mulher que já viveu quase um século e presenciou desde sua mãe dar pão e água aos revoltosos da Coluna Prestes, em 1927, quando tinha apenas 2 anos de idade, passando pela…

Não foi a (provavelmente apenas a primeira) pandemia deste século que fez com que falhássemos moralmente enquanto sociedade, enquanto espécie, enquanto indivíduos, enquanto durante enquanto. Vimos falhando moralmente desde o momento em que substituímos as comunas das aldeias e o consenso do coletivo pelos países-reinos e seus líderes autocratas; desde o instante em que convertemos em religião o sobrenatural das alucinações induzidas por ibogaína, DMT entre outras substâncias; desde que destruímos as matas e florestas para enclausurar animais para sofrerem um holocausto só para satisfazermos a ilusão de que somos carnívoros, de que somos leões aprimorados; desde o momento em…

Uma breve intervenção em vídeo por aqui para falar do meu novo livro e do sorteio dele!

Não escrevi ameaça no título, em razão das redes sociais (Instagram, Facebook, Twitter…) e os aplicativos de mensagens (Whatsapp, Telegram…) já terem ultrapassado a linha, que determina se são ameaça ou não, há muito tempo. Não, estes aplicativos não são uma ameaça. São uma arma. Uma arma que já está sendo usada sem o menor escrúpulo pelo neoliberalismo.

E não estou me referindo à doutrina programada por economistas na primeira metade do século XX, que imaginava um Estado regulador e assistencialista que controlaria, de maneira limitada, o funcionamento do mercado capitalista. …

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. (João 8:32)

Será?

De uma ponta à outra dos espectros políticos e sociais, tem-se em pauta a liberdade. Liberdade enquanto instrumento de cooptação e jamais como qualificador para a possibilidade de uma vida integral. Digo, para que se possa, não obstante, tendo em conta possibilidades mínimas, ir ao alcance de um horizontalismo onde todas as possibilidades sociais, políticas, filosóficas, artísticas e educacionais possam viver imunes ao verticalismo de um (neo) liberalismo (seja ele social ou econômico) ou socialismo burocrático (seja ele progressista ou dogmático). …

Leonardo Triandopolis Vieira

Escritor e editor. Conheça meu trabalho em leoescreve.com.br

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