Falhamos moralmente não é de hoje

Não foi a (provavelmente apenas a primeira) pandemia deste século que fez com que falhássemos moralmente enquanto sociedade, enquanto espécie, enquanto indivíduos, enquanto durante enquanto. Vimos falhando moralmente desde o momento em que substituímos as comunas das aldeias e o consenso do coletivo pelos países-reinos e seus líderes autocratas; desde o instante em que convertemos em religião o sobrenatural das alucinações induzidas por ibogaína, DMT entre outras substâncias; desde que destruímos as matas e florestas para enclausurar animais para sofrerem um holocausto só para satisfazermos a ilusão de que somos carnívoros, de que somos leões aprimorados; desde o momento em que passamos a nos matar por emoção, por esporte, por justiça, por Deus!; desde o momento em que inventamos classes sociais, heranças, propriedade, capital, família; a partir do momento em que passamos a poluir o ar, a terra, o mar, a nós mesmos!; no instante em que convenientes fomos com monarquias, escravidão, ditaduras, holocaustos; Falhamos moralmente no momento em que aceitamos ser o que somos. Redundante, eu sei. Mas a nossa falha moral é redundante. É constante.

A única moralidade possível não está no progresso e nem na construção do que quer que seja. A moral reside na desconstrução, em aniquilar o aniquilador, reside na decomposição do que quer que imaginávamos, imaginamos ou poderemos imaginar que fomos, somos ou seremos.

A única moral possível é deixar que o mundo seja mundo sem a nossa interferência, apenas, talvez, anuir a nossa incapacidade em saber-se criatura estruturada para falhar moralmente.

Como Krishnamurti certa vez disse:

Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente.

É uma falha moral, complemento.

Mais uma…

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